Localizada a 120 km de Salvador, a cidade de Cachoeira é um dos principais palcos das lutas pela independência da Bahia. Saindo de Santo Amaro, são 38 km através da BR-026 para chegar à cidade. Cachoeira foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1971, e passou a ser considerada Monumento Nacional. Suas casas, igrejas, prédios históricos e a imponente ponte D.Pedro II preservam a imagem do Brasil Império - quando o comércio e a fertilidadde do solo fizeram de Cachoeira a vila mais rica, populosa e uma das mais importantes do país, nos séculos XVII e XVIII.
No século XIX, as lutas contra a canhooneira portuguesa e a proclamação do príncipe D.Pedro I como Regente são fatos que, ainda hoje, enchem de orgulho os moradores da cidade.
Com mais de 33 mil habitantes, a cidade volta a crescer e a atrair novos moradores e turistas.
A instalação da Universidade Federal do Recôncavo, em 2009, e de outras faculdades, acelerou o desenvolvimento de Cachoeira, que a cada dia inaugura novos restaurantes, lojas, bares, hotéis, pousadas, pensões e equipamentos de infraestrutura. Só na Universidade são mais de 3 mil alunos e 300 professores, número que deve dobrar nos próximos anos.
Ao entrar na cidade, a arquitetura dos casarões já impressiona e revela uma parada obrigatória para o turismo histórico. O prédio da Câmara dos Vereadores, antiga Câmara e Cadeia, é o ponto de partida para uma verdadeira viagem no tempo. Imponente, a construção remonta ao período de elevação da Freguesia de Nossa Senhora do Rosário à Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira do Paraguaçu.
A estrutura rochosa abriga no térreo as antigas celas da cadeia local, onde ficavam os presos comuns. Um espaço onde hoje funciona uma área de exposições, com documentos dos séculos XVIII e XIX, contendo fotos antigas de autoridades, monumentos, momentos cívicos, religiosos e imagens que permitem comparar as modificações arquitetônicas.
No local, é possível conhecer um canhão encontrado nas águas do rio Paraguaçu, que se acredita ser parte da canhoneira que atacou a cidade. A carroça que carrega a imagem do Caboclo, no dia 25 de junho, também está exposta.
No segundo pavimento do prédio continua funcionando a Câmara Municipal. Imagens de heróis da cidade, como o Barão de Belém e Maria Quitéria, misturam-se ao cenário com portas reforçadas, grades, janelas de gradis de ferro e portas com gradis de madeira.
Os gradis do pavimento superior cercavam a cela dos homens de bem, que abriga hoje uma sala de reuniões.
A sala das sessões plenárias abriga uma imagem de D.Pedro I, que foi ali aclamado como Príncipe Regente, no dia 25 de junho. O quadro de Antonio Parreiras, chamado "o 1º Passo para a Independência (1937), ilustra o momento de libertação da cidade. Outra homenagem é feita a Ana Nery, heroína cachoeirana que se alistou no exército brasileiro durante a Guerra do Paraguai e se tornou patronesse dea enfermagem no Brasil. Nas janelas e varandas da Câmara, o visitante pode apreciar a Praça da Aclamação, o Museu Regional e a cidade vizinha de São Félix. Em todos os cantos de Cachoeira sempre há alguma bela e imponente obra arquitetônica.
Uma das vantagens de Cacheira é permitir que o turista conheça cada ponto da cidade, caminhando por suas ruas. Durante o percurso é possível conhecer cada detalhe das ruas e dos pontos turísticos, conversando com seus moradores. Saindo da Câmara, é possível ir andando até a Igreja e Casa de Oração da Ordem Terceira do Carmo, uma monumental obra construída pelos Carmelitas Descalços.
Do lado de fora, a igreja parece ser simples, porém, o interior revela todo o seu esplendor e refino, com forros e a nave em detalhes do barroco rococó.
Construído no século XVIII, o templo reunia a aristocracia da região e os senhores de engenho. Por ser composta de muitas pinturas e detalhes em ouro, ela é considerada pelos moradores uma réplica em pequena escala da Igreja de São Francisco, em Salvador.
Na sacristia, um curioso conjunto de imagens representa a Paixão de Cristo, mostrando Jesus com olhos puxados e traços orientais. Acredita-se que essas imagens tenham vindo de Macau, junto com outras obras. No local, também é possível conhecer um dos maiores conjuntos de obras artísticas tumulares da América Latina, restaurado há 10 anos, que abriga túmulos com inscrições em latim, onde eram enterrados os ricos donos de engenho.
Na parte superior da sacristia, uma sala abriga uma grande imagem do Senhor dos Passos e um armário com pinturas de estilo oriental. Nesse local, os devotos do candomblé frequentam, às sextas-feiras, para rezar ao Senhor dos Passos, um espaço que abriga o sincretismo religioso.
Logo ao lado, a Igreja da Ordem Primeira do Carmo é outra construção em estilo barroco.
Finalizada em 1773, a construção não ostenta tanta riqueza como a Ordem Terceira; possui escaiola com marmorização, forros e pinturas nos corredores laterais e nave. No local onde funcionava o Convento ddos Carmelitas, hoje está a Pousada do Carmo, com área para eventos, restaurante e quartos. Este é o maior e mais requintado hotel da cidade.
Atualmente, a Ordem Primeira abriga as atividades da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário. A Igreja Matriz é um monumento da primeira metade do século XVIII, tombado pelo Patrimônio Histórico em 1939. Painéis em azulejo recobrem a lateral da nave e são um dos mais importantes exemplares desse tipo de obra na América Latina, por possuir grande extensão e altura.
Ao lado da Igreja Matriz, um grande casarão branco, que hoje abriga um posto de informações turísticas e uma unidade da polícia, é a antiga residência de Ana Nery. Perto dali, a Casa da Irmandade da Boa Morte é uma parada obrigatória para quem quer conhecer a maior festa religiosa de Cachoeira. Formada há cerca de 150 anos por mulheres negras e mestiças, a irmandade tinha o intuito de alforriar escravos ou dar-lhes fuga. Todos os anos, a Festa da Boa Morte atrai para a cidade um grande número de visitantes, entre estudiosos e turistas de diversas partes do mundo.
Perto da Casa da Irmandade fica a praça D'Ajuda, local que abriga o primeiro templo religioso de Cachoeira, a Capela D'Ajuda, construída entre 1595 e 1606, em homenagem a Nossa Senhora do Rosário. A pintura artística primitiva da cúpula é um dos destaques da construção; o desenho é composto de ramagens flamejantes, em um trabalho com padrões do século XVII.
Na praça, uma grande festa é realizada na segunda quinzena de novembro. A festa D'Ajuda reúne devotos em comemorações que misturam o sagrado e o profano. Com uma extensa programação que se prolonga por vários dias, a festa é encerrada com o Terno da Alvorada, reunindo mascarados, cabeçorras e muitos populares nas ruas de paralelepípedos, ao som de filarmônicas e fanfarras.
Seguindo a praça Teixeira de Freitas, encontramos monumentos em homengem aos heróis da independência. A praça fica em frente ao antigo Hotel Colombo e próxima às margens do Rio Paraguaçu que, com aproximadamente 600 km de extensão, é o maior rio genuinamente baiano e responde pelo abastecimento de água de vários municípios.
Para quem gosta de samba de roda, a parada obrigatória é a Casa do Samba, na rua da Matriz. A casa promove ensaios todas as quartas-feiras e oferece comidas e bebidas típicas da região, todos os dias.
Outro ponto importante do turismo étnico-afro de Cachoeira pode ser encontrado no Alto do Rosarinho, onde estão esguidos a Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Monte e o Cemitério dos Nagôs. O templo é uma referência para o povo negro da regiõa, onde se reuniam os negros com alguma ascenção social. No cemitério, lápides com inscrições em línguas africanas indicam as origens dos negros que ali estão enterrados, dentre eles, alguns sacerdotes do candomblé.
Na margem do rio Paraguaçu, pode-se caminhar para ter uma vista panorâmica da cidade vizinha, São Félix - vista que mostra a disposição das casas formando um triângulo, com uma cruz no topo, desenho que rendeu ao local o apelido de cidade presépio - e apreciar a imponência da ponte D.Pedro II. Construída como ponte ferroviária, a D.Pedro II liga as cidades de Cachoeira e São Félix e, hoje, é utilizada para a travessia de pedestres, bicicletas e automóveis.
A ponte metálica teve sua estrutura importada da Inglaterra - segundo alguns historiadores iria ser montada sobre o rio Nilo, no Egito - e foi inaugurada em 1885, com a presença do próprio Imperador; possui comprimento total de 365 metros, com vigas em treliças. Por autorização do Imperador, foram fixadas as armas imperiais sobre o fecho da ponte. Este é o mais forte elo de ligação de Cachoeira em a sua cidade irmã, São Félix, que será a nossa próxima aventura.