terça-feira, 6 de agosto de 2013

ROTA DA INDEPENDÊNCIA. UM ROTEIRO QUE ALIA CONHECIMENTO SOBRE A HISTÓRIA DA BAHIA À CULTURA PECULIAR DO RECÔNCAVO BAIANO (ETAPA 1: SANTO AMARO)

Repleta de cenários, personagens e emoções, a Rota da Independência é um prato cheio para quem quer conhecer a Bahia através da história das lutas pela libertação contra os portugueses. Entre as cidades do Recôncavo que foram parte fundamental da história, estão Santo Amaro, Cachoeira, São Félix e Muritiba que mostram como essas cidades se desenvolveram e conservaram o patrimônio histórico e as suas belezas naturais quase duzentos anos depois.

Saindo de Salvador, a primeira parada é na cidade de Santo Amaro. Pela BR-324, deve-se percorrer 59 km até o entroncamento da BA-026. Em direção à cidade, são mais 11 km. Santo Amaro desempenhou um importante papel na luta pela Independência da Bahia. Foi na Câmara Municipal, em 1822, que se reuniram os representantes da cidade, civis, poetas e populares para decidir que o Brasil deveria ter direito a um Poder Executivo, Exército e Marinha, comandados pelo Príncipe Regente D.Pedro I. Além disso, Santo Amaro contribuiu com alguns batalhões e um esquadrão de cavalaria fardado, comandado e mantido por Antonio Joaquim de Oliveira e Almeida.

O Centro Histórico concentra-se ao redor da Praça da Purificação, onde fica a Casa de Câmara e Cadeia, o chafariz inglês e a Igreja de Nossa Senhora da Purificação. O traçado irregular, do séc. XVIII, expressa o perfil das construções da região. A cidade se envolve pela história estampada nos sobrados e monumentos dos séculos XVIII e XIX.

A antiga Casa de Câmara e Cadeia, onde hoje funcionam a Prefeitura Municipal e a Câmara de Vereadores, foi construída na segunda metade do séc. XVIII e possui arquitetura semelhante à da Câmara de Salvador. O local, tombado pelo Patrimônio Histórico, em 1941, foi palco de uma das primeiras reuniões na luta pela Independência da Bahia, em 1822, e já abrigou a sede da Imprensa Oficial da Vila, em 1916.

Construída no séc. XVII, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Purificação foi erguida no mesmo local onde havia uma rústica capela de oração e batismo em homenagem à santa - construída pelos senhores de engenho, na época em que a cidade tinha mais de 200 engenhos - que hoje permanece dentro da igreja. Com painéis em azulejos e colunas decoradas em mármore, o templo abriga dezenas de imagens conservadas e um teto recoberto com pinturas no estilo barroco. No grande coreto é realizada a novena de Santo Amaro, uma das cerimônias mais marcantes para os moradores.

Santo Amaro cresceu acompanhando a margem do rio Subaé, onde os moradores pescavam, lavavam roupas e utilizavam a água para abastecimento da cidade. O Centro Histórico, entre as praças do Rosário e da Purificação, concentra mais de 50 prédios de valor histórico e arquitetônico.

Uma das primeiras construções da região foi o Solar Paraíso, um casarão suntuoso e imponente cravado no alto da rua Santa Luzia, que pode ser visto de vários pontos da cidade. A construção é um dos exemplares mais representativos do séc. XIX. O solar já foi residência do dono da antiga fábrica siderúrgica de Santo Amaro. 

Na rua do Imperador, um grande casarão de dois pavimentos, construído em 1873, foi recentemente reformado. O Solar do Conde de Subaé, tombado pelo Patrimônio Histórico em 1979, remonta à fase áurea da aristocracia do Recôncavo. Às margens do rio Subaé, o local foi residência de Francisco Moreira de Carvalho, Conde de Subaé. Decorada com elementos neoclássicos, um pórtico e uma escadaria de mármore, a casa já hospedou o imperador D.Pedro II. De acordo com alugns funcionários do casarão, às vezes o imperador "passeia" pelo local e é possível ouvir seus passos no pavimento superior, assustando quem está por perto.

Restaurado em 2007, hoje o solar abriga a Casa do Samba de Roda, um Centro Cultural que reúne a história e a cultura do ritmo que animava os terreiros e as rodas de capoeira. Documentos, fotografias e gravações integram o enorme acervo do local. No espaço são expostos os instrumentos peculiares do ritmo, como o prato, o pandeiro, a viola, o atabaque e o berimbau.

Também margeado pelo rio Subaé, o Museu do Recolhimento dos Humildes é outra boa opção para quem busca turismo cultural. O acervo composto por 493 peças inclui relíquias como imagens barrocas do século XVIII, mobiliário do século XIX, alfaias e imaginárias. Destaque especial para as imagens de traços orientais e ricos detalhes em ornamentação e as peças e monumentos artístico-religiosos elaborados a mão pelas freiras, a exemplo da Divina Pastora - uma relíquia artesanal exposta em redoma de vidro.

Seguindo a pé pela margem, é possível visitar o Mercado Municipal. O local vende frutas, verduras, peixes, mariscos e o famosos dendê da região, procurado por mutos turistas. Ali acontece uma das principais festas populares da cidade, o Bembé do Mercado. A festa acontece sempre no fim de semana próximo ao dia 13 de maio. O evento celebra a abolição da escravatura e é realizado desde 1889, quando o pai de terreiro, João de Obá, saiu para agradecer à princesa Isabel pela libertação de seus irmãos negros.

Com uma grande riqueza cultural, Santo Amaro possui um vasto calendário de eventos populares. As comemorações começam no primeiro domingo do ano, com a festa de Nosso Senhor do Bonfim. Entre as principais datas, estão a de Nosso Senhor de Santo Amaro, entre os dias 06 a 15 de janeiro; Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (segunda semana de janeiro); Regata de Canoa (domingo de Carnaval), aniversário da cidade (13/3), São João (21 a 24/6). Independência da Bahia (02/7) e o dia de Nossa Senhora da Conceição (08/12).

Além do Bembé do Mercado, a festa mais celebrada pelos santamarenses é a de Nossa Senhora da Purificação, que vai de 24 de janeiro a 02 de fevereiro. Os festejos começam com o novenário composto para a santa. As manifestações movimentam também a cultura e a culinária, concentradas no tradicional Bagacinho, espaço com barracas padronizadas. A lavagem do adro da igreja Matriz acontece sempre no último domingo de janeiro, com grupos folclóricos e centenas de baianas. No dia 02 de fevereiro, as comemorações são encerradas na tradicional procissão, que conta com mais de 40 andores.

Todos se encantam com a magia desta terra simpática, que presenteou o Brasil com muitos filhos ilustres, dentre eles, Caetano Veloso, Maria Bethânia, o artista plástico Emanuel Araújo e os valentes Besouro Cordão de Ouro e Popó, mestres de capoeira e maculelê.

Na avenida Viana Bandeira morou uma das mais ilustres personalidades santamarenses: Dona Canô, mãe de Caetano e Bethânia, que viu a cidade crescer e se desenvolver. A casa de Dona Canô já se tornou ponto turístico, onde muitos visitantes param para fotografar.

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