quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O RIO PERDE PARA A ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA MAIS UM ATRATIVO HISTÓRICO: O QUARTEL CENTRAL DA PM DA EVARISTO DA VEIGA!

Com o anúncio da venda e demolição do prédio do Quartel General da Polícia Militar do Rio de Janeiro, localizado na Rua Evaristo da Veiga, no centro da cidade do Rio, para em seu lugar surgir mais um espigão, vale conhecer um pouco da história que nossa cidade vai perder para as "picaretas dos picaretas".

No caminho que ia da Rua da Guarda Velha (atual Treze de Maio) para o Morro do Desterro (atual Santa Teresa), os frades capuchinhos italianos, mais conhecidos como "Barbonos" ou "Barbadinhos", construíram em 1740 um pequeno hospício (convento) dedicado à Nossa Senhora da Oliveira, em terreno doado pelo então Governador do Rio de Janeiro, Gomes Freire de Andrade, Conde de Bobadela, e pedido para tal pelo próprio Rei D.João V de Portugal no ano anterior.
O Hospício dos Barbonos foi projetado pelo engenheiro militar e Sargento-Mor José Fernandes Pinto Alpoim em 1740/42. Neste hospício, pela primeira vez, se plantou café com sucesso em 1760, à partir de duas mudas vindas do Maranhão. Em junho de 1808, foram desalojados os capuchinhos para cederem seu cenóbio aos religiosos do Carmo, que ali ficaram por vinte e dois anos. Os frades carmelitas, por sua vez, também tinham sido desalojados de seu convento no Largo do Paço para nele residir a Rainha D.Maria I, a Louca. Em 1831, por ordem da Regência Trina, saíram os frades do hospício e dele tomou posse a Guarda Real da Polícia da Côrte, esta instituição criada pelo Príncipe D.João a 13 de maio de 1809. 
A primeira providência dos policiais foi desativar a capela, que estava então não mais dedicada a Nossa Senhora da Oliveira, e sim à Nossa Senhora da Soledade, cultuada pelos carmelitas. Os santos foram deixados sob a guarda do Convento Franciscano de Santo Antonio em 1836, e no recinto da velha capela foi instalada uma prisão, e depois um hospital. Em 1857, entretanto, houve uma ordem do Governo de reinstalar a capela, o que ocorreu em 1861, sendo reaberta agora sob a invocação de Nossa Senhora das Dores. Como o vetusto templo cortava em dois o pátio interno do quartel, foi decidida em 1871 a sua reconstrução. Demolida a velha ermida, a atual, em estilo Neogótico, foi construída mais atrás, entre 1876 e 1881, sendo inaugurada em maio deste último ano.
Sendo o prédio do quartel pequeno e inadaptado para a polícia, e esta tendo muito se desenvolvido e ampliado no decorrer do Segundo Reinado, resolveu o Governo Imperial demolí-lo em 1889/96 e ampliá-lo de muito inclusive para isto destruindo o velho chafariz das Marrecas, inaugurado em 1785 ao lado do hospício pelo Vice-Rei Luis de Vasconcelos, sob o risco de Mestre Valentim. O projeto do novo edifício foi executado em 1889 pelo engenheiro e general Capitulino Peregrino Pereira da Cunha, e as obras foram iniciadas com o lançamento da pedra fundamental em 12 de novembro de 1889, sendo esta a última cerimônia pública em que participou o Imperador D.Pedro II, derrubado pela República três dias depois. Os trabalhos se arrastaram até o final do século XX, em sua última fase animados pelo seu comandante, Coronel Silvestre Travassos. Em 1975, com a fusão dos Estados da Guanabara e Rio de Janeiro, o quartel ganhou mais um pavimento, ficando então com três andares.

(Escrito pelo Prof. Milton Teixeira para o Jornal Folha Cultural)


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